quinta-feira, 23 de abril de 2009


Estranho como o sorriso de um bisturi.
Íntimo como um olho sem pálpebra aberto na nossa mão.
Deslumbrante como o rumor da passagem de um unicórnio.
Fiel como a súbita seda negra do medo.
Temível como o brilho da espada de fogo de um arcanjo.
Submisso como as ondas que rebentam contra a praia de um peito.
Devastador como a clareza de um olhar num espelho quebrado.
Inevitável como a ferida feita pela chuva num coração de pedra,
o amor chega um dia à nossa vida e nós não estamos.








Abelardo Linares (Trad. Joaquim Manuel Magalhães)

3 comentários:

Helena Magalhães disse...

Ou nós estamos e o amor percebe que afinal quer é copos lolol ;P

Esqueci-me totalmente do teu mail, mas adicionei hoje :) :) :) Quando vires um mail muito infantil, é o meu mesmo lol

N.M disse...

Um dia vai chegar e tu vais lá estar....

Anónimo disse...

"Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhares e milhares de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla"