quinta-feira, 20 de setembro de 2007



Em definitivo
Não mais me consigo entender
Quero as coisas
Que não tenho
Realizo os sonhos
Que não procuro.....
Perco-me indefinidamente
No tempo e na ausência!
Por isso:
Desejo primeiro que Tu Ames,
E que amando também sejas amado,
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guardes magoa
Desejo pois que não seja assim
Mas se for, saibas ser sem desesperar.
Desejo também que tenhas amigos
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e Fieis
e que pelo menos num deles,
tu possas confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que tenhas inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exacta, para que algumas vezes
Tu te interpeles a respeito
Das tuas próprias certezas
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo
Para que tu não te sintas demasiado... Seguro.
Depois desejo que sejas útil
Mas não insubstituível,
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente para te manteres de pé.
Desejo ainda que sejas tolerante
Não com os que erram pouco, isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Sirvas de exemplo aos outros!
Desejo que tu... sendo jovem
Não amadureças depressa demais,
E que sendo maduro, não insistas em rejuvenescer
E que sendo velho, não te dediques ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
é preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que sejas triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia descubras
Que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso e o riso constante insano
Desejo que descubras
Com a máxima urgência
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão a tua volta.
Desejo ainda que afagues um gato
Alimentes um cuco e ouças o galo
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, vais-te sentir bem... por nada.
Desejo também que plantes uma semente
Por mais minúscula que seja
E acompanhes o seu crescimento
Para que saibas de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outro sim, que tenhas dinheiro
Porque é preciso ser pratico
E que pelo menos uma vez por ano
Pegues num pouco dele
Coloques na tua frente e digas: Isto é meu
Só para que fique bem claro, quem é o dono de quem...
Desejo também que nenhum dos teus afectos morra
Por ele e por ti
Mas que se morrer, possas chorar
Sem te lamentares, sem te culpares.
Desejo por fim, que tu sendo Homem
Tenhas uma boa Mulher
E que sendo Mulher
Tenha um bom Homem
E que se Amem, Hoje, Amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja Amor para recomeçar.
E se tudo isto acontecer....
Não tenho mais nada para te desejar.



Victor Marie Hugo

Levas-me p'ra casa????

quarta-feira, 19 de setembro de 2007



“Estamos sós e sem desculpas. É o que traduzirei dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado porque não se criou a si próprio; e, no entanto, livre porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer.”



Sartre




Se tudo o que o homem faz é para tentar ser feliz, é preciso surpreendê-lo nessa busca, descobrir o que busca quando vai ao encalço dessa felicidade, o que encontra quando a consegue; como fracassa, quando se lhe escapa das mãos ou se despedaça; o que espera quando espera ser feliz; o que lhe acontece quando perdeu a esperança da felicidade ou de possuí-la. Isto é, ter-se-ia de perguntar o que é que este homem busca, o que é que tem, ou o que perdeu.




Julián Marías,in 'A Felicidade Humana'

Como Vai Voçe?


"As únicas pessoas que aprecio são os loucos: os que são loucos para viver, loucos para falar, loucos para se salvar, desejosos de tudo ao mesmo tempo, os que nunca bocejam nem dizem lugares-comuns, mas que ardem, se inflamam e brilham como fabulosos fogos de artificio."



Jack Kerouac


A consciência é uma pequena lanterna que a solidão acende à noite.


Madame de Stäel


Ás vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder e falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, a dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Ás vezes, é preciso respirar fundo e esperar que o tempo nos indique o momento certo para falar e então alinhar as ideias, usar a cabeça e esquecer o coração, dizer tudo o que se tem a dizer, não ter medo de dizer não, não esquecer nenhuma ideia, nenhum pormenor, deixar tudo bem claro em cima da mesa para que não restem dúvidas e não duvidar nunca daquilo que estamos a fazer (...)Ás vezes mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer, arrumar do que cultivar, anular do que desejar.(...) Ás vezes é preciso mudar, o que parece não ter solução, deitar tudo abaixo para voltar a construir do zero, bater com a porta, apanhar o ultimo comboio no derradeiro momento e sem olhar para trás, abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz, o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memoria sem medo de perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta, e deitar a chave fora, ou então pedir a alguém que guarde tudo num cofre...
Ás vezes é preciso saber renunciar, não aceitar, não cooperar, não ouvir nem contemporizar, não pedir, não aceitar nem participar, sair pela porta da frente, sem a fechar, pedir silencio paz e sossego sem dor sem tristeza e sem medo.
E partir para outro lugar, mesmo o que quando mais queremos é ficar, permanecer , Construir investir e Amar."




Margarida Rebelo Pinto in " Crónicas da Margarida"


Sunt lacrimae rerum et mentem mortalia tangunt.

terça-feira, 18 de setembro de 2007



Um pensamento segue o outro por quê? Porque o primeiro pensamento não basta a si mesmo, se exige outro pensamento. Exige outro para certificar-se de si mesmo. Um pensamento segue outro porque o segundo duvida do primeiro, e porque o primeiro duvida de si mesmo. Um pensamento segue o outro pelo caminho da dúvida. Sou uma corrente de pensamentos que duvidam.


Vilém Flusser,in 'A Dúvida'


O que em geral se consegue com o castigo, em homens e animais, é o acréscimo do medo, a intensificação da prudência, o controle dos desejos; assim o castigo doma o homem, mas não o torna melhor.



Nietzsche


Por favor, não me analise
Não fique procurando cada ponto fraco meu.
Se ninguém resiste a uma análise profunda,
Quanto mais eu…
Ciumento, exigente, inseguro, carente
Todo cheio de marcas que a vida deixou
Vejo em cada grito de exigência
Um pedido de carência, um pedido de amor.
Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.


Mário Quintana

segunda-feira, 17 de setembro de 2007



"Não existem bons ventos para quem não sabe para onde vai "



Marcus Annaeus Seneca

Saber como levar as coisas. Tudo tem dois lados. Se pegar na lâmina, a melhor irá feri-lo; a mais nociva o defenderá se a segurar pelo cabo. Muitas coisas que causaram dor teriam causado prazer se suas vantagens tivessem sido também consideradas. Sempre há prós e contras; o segredo está em saber virar as coisas a nosso favor. As coisas parecem diferentes quando vistas a uma luz diferente. Portanto, olhe para elas à luz da felicidade. Não confunda bom e mau. Eis porque alguns encontram alegria em tudo, e outros, tristeza. Trata-se de uma defesa garantida contra os reveses da sorte, e de uma óptima regra de vida, em todos os tempos e em todas as actividades.


Baltasar Gracián, A Arte da Sabedoria Mundana, pg. 99

NOT TO GIVE...



“…Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora.
Soltar. Desprender-se. As pessoas precisam de compreender que ninguém está a jogar com cartas marcadas, ás vezes ganhamos e ás vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam o seu esforço, que descubram o seu génio, que entendam o seu amor.
Encerre ciclos, não por orgulho por incapacidade ou por soberba, mas porque aquilo simplesmente já não se encaixa na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda o pó. Deixe de ser quem era e transforme-se em quem é.”



Paulo Coelho in " O Zahir"

domingo, 16 de setembro de 2007



(...) os grandes mitos são grandes porque representam e incorporam grandes verdades universais, mas o mito do amor romântico é uma terrível mentira. É possível que não se possa prescindir dessa mentira, pois é ela que assegura a sobrevivência da paixão que leva ao casamento. Mas, como psiquiatra, lamento - quase que diariamente - a terrível confusão e o sofrimento que este mito provoca. Milhões de pessoas desperdiçam uma imensa quantidade de energia tentando, desesperada e inutilmente, amoldar a sua vida real a esse mito irreal.



M. Scott Peck

sábado, 15 de setembro de 2007

A VOZ DO SILÊNCIO



“Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala”…..
Simples! Rápido! E quanta força!
Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades…Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam…
Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.
Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquitecta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes,numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: “Diz alguma coisa,mas não fica aí parado, me olhando”! É o silêncio de um mandando más notícias para o desespero do outro.
É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.
O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária electrónica e mesmo assim você entende a mensagem…


'Martha Medeiros'

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

(You Want To) Make a Memory



...porque me entrou no ouvido.

Bon jovi "(You Want To)Make a Memory"

O último encontro.



Passaram a encontrar-se entre Marburgo e Berlim, numa cidade que ficava no percurso do comboio. O prazer da espera conservava o seu gosto proibido. Marcavam encontro nas estações e depois ele levava-a para quartos de hotel. O corpo a corpo ainda era vivo,mas sobrava o resto do tempo. Tão longo, tão estúpido. Martin vestia-se, ia-se embora.
Quando nos voltamos a ver?
Proximamente.
O que é o próximo?
O ser,na sua emergência.
Mas quando?,diz.
Ele não responde.
Agora não, nem tão cedo.
-Sabes bem que não sou dono do meu tempo - dizia ele.
Martin mantinha Hannah em sentinela. E ela submetia-se. A espera exacerbava o amor até á dor, como a ferida de uma criança cuja crosta ela arranca para fazer deitar sangue,por gosto. Muito sangue tinha corrido por debaixo das pontes que ligavam as estações dos comboios, e muito prazer também.
A crosta infectava só um pouco, mas sem septicemia.
Até ao dia do encontro gorado na plataforma da estação de Heidelberga.
Grangena fulminante, amputação do amor. A ferida cicatrizou, formando uma crosta espessa que Hannah deixou sossegada. Operação bem sucedida.
Hannah já não arranhava a ferida que julgava curada.
Um dia, depois da separação, Martin fora a Berlim visitar o jovem marido de Hannah. E a ferida voltou a abrir.(...)



"O Ultimo encontro", de Catherine Clément